Veículos sem motorista já circulam em campus da USP

Já são três os veículos sem motorista desenvolvidos no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos (SP).

Os testes estão sendo realizados dentro do campus, pois não é permitida a circulação de veículos sem motorista em vias públicas, por razões de segurança.

“As vias do local oferecerem uma boa representação do ambiente urbano e a possibilidade da realização de experimentos controlados, que seguem todos os protocolos de segurança,” explica o professor Fernando Osório, um dos coordenadores do projeto Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma (CaRINA).

“Todos os veículos testados viajam com uma pessoa em seu interior, para situações de emergência. Se o sistema computacional deixa de emitir sinais para o controle ou sofre uma pane, esta pessoa pode intervir imediatamente e parar o veículo,” esclarece ele.

O sistema de navegação autônoma CaRINA 1 foi instalado em um veículo elétrico do tipo usado em campos de golfe.[Imagem: Projeto CaRINA]

O sistema de navegação autônoma CaRINA 1 foi instalado em um veículo elétrico do tipo usado em campos de golfe.[Imagem: Projeto CaRINA]

Percepção automobilística

Os pesquisadores criaram sistemas para utilização em veículos elétricos utilitários e carros de passeio, e agora estão começando a aplicar a técnica em caminhões.

Na primeira fase do projeto CaRINA, iniciado em 2010, foi desenvolvido o protótipo de um sistema autônomo de direção para um veículo elétrico utilitário, denominado CaRINA 1.

“O processo exige inicialmente a adaptação da parte mecânica do veículo e instalação de equipamentos e sensores eletrônicos, além de programas de computador que permitam controlar suas funções, como acelerar, frear e atuar na direção do carro”, explica o professor Fernando. “Uma vez dotado de inteligência computacional, o sistema tem a capacidade de perceber os objetos ao redor, similar aos sentidos humanos, e decide sobre a movimentação do veículo”.

O CaRINA 2, implantado em um veículo de passeio, passou por um processo semelhante. “Foi feita toda a automação da parte mecânica, implantação de dispositivos eletrônicos, sensores, computadores, e, por fim, a parte de automação necessária para operação do veículo de forma autônoma”, descreve o professor.

O CaRINA 2 ainda está em processo de desenvolvimento, com os pesquisadores se preparando para submetê-lo a testes em trajetos mais longos e mais complexos.

O CaRINA 2 está sendo avaliado em um carro elétrico de fabricação nacional. [Imagem: Projeto CaRINA]

O CaRINA 2 está sendo avaliado em um carro elétrico de fabricação nacional. [Imagem: Projeto CaRINA]

Aplicações na lavoura

Também está em desenvolvimento o CaRINA 3, um sistema autônomo para um caminhão de 9 toneladas, projeto conhecido como S-Truck (do inglês Smart Truck, “caminhão inteligente”).

“O veículo elétrico tinha pouca potência no motor e não possuía troca de marchas, ao contrário do carro de passeio. Este [novo projeto], por sua vez, necessita de cuidados mais complexos de segurança,” explica o pesquisador.

Embora ainda não haja previsão de quando os veículos autônomos chegarão às ruas, a tecnologia de navegação autônoma já encontrou suas primeiras aplicações.

Em parceria com uma empresa de implementos agrícolas, a equipe adaptou a tecnologia de visão de máquina para ser aplicada em pulverizadores usados na agricultura.

“A aplicação de defensivos exige a presença de uma pessoa próxima para controlar a pulverização e desviar a máquina de obstáculos, expondo-a continuamente a substâncias tóxicas”, conta o pesquisador. “Para evitar riscos à saúde foi desenvolvido o protótipo de um pulverizador autônomo dotado de visão computacional capaz de reconhecer os caminhos e evitar danos ao equipamento”.

Fonte: Agência USP

Publicações relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *