Universidades disputam número de patentes e sucesso de incubadas

Em busca de notoriedade acadêmica e de repasses maiores de recursos dos governos federal e estaduais, universidades públicas e privadas disputam o status de maior parceria da inovação no país. A medida que usam para se destacar é o número de patentes registradas e o índice de sucesso das empresas incubadas.

Em meio a toda essa disputa, micro e pequenos empresários precisam saber separar o joio do trigo. Ou como escolher, entre as 154 incubadoras de inovação tecnológica que existem no país, quais as que são realmente confiáveis e que podem ajudar sem colocá-los em situação de risco.

O conceito de inovação aberta traz muitos elementos para essa discussão. Não há dúvidas entre especialistas e investidores que há inúmeras vantagens em se investir em um modelo como esse: redução de custos no desenvolvimento de inovação tecnológica, alavancagem de recurso barato, contato direto com investidores, mobilização de diferentes agentes e instrumentos de mercado, expansão da rede de relacionamento, entrar na cadeia de grandes empresas, conhecer outras tecnologias, troca e aprofundamento de conhecimento, além do aparato acadêmico de pesquisa e desenvolvimento.

Os responsáveis pela inovação nas universidades defendem que oferecem ambiente único e privilegiado a detentores de ideias inovadoras. “Há 15 dias, a Bosch bateu na minha porta atrás de um projeto inovador. Mostrei os 119 que mantemos aqui incubados. Eles gostaram de um. Criamos o ambiente aberto de discussão entre os agentes interessados, que perceberam que precisavam de um banco para rodar um aplicativo para pequenos pagamentos. Já temos um possível banco investidor que é um dos cinco maiores do país”, exemplifica Sérgio Risola, diretor-executivo do Cietec, instalado há 7 anos da Cidade Universitária de São Paulo. Nesse período foram geradas 146 patentes. Por ano, são 14 novos projetos aprovados para serem monitorados, por cerca de três anos (podendo chegar a cinco), dentro de um dos maiores celeiros de inovação do país. “O índice de sucesso de nossa incubada é superior a 90%”, afirma.

A Unicamp e a FGV também despontam na lista de alta referência no apoio a pesquisa e desenvolvimento, patentes e ambiente de inovação aberta. Nessa corrida, além dos centros de tecnologia e das incubadoras que mantêm, realizam campeonatos de inovação com premiações que vão muito além dos recursos financeiros. O grupo vencedor (ou os grupos) receberá todo apoio para viabilizar o seu negócio, por meio de parceiros, investidores e pesquisadores, criando, para tanto, comunidades abertas.

“Em 2012, 50 equipes englobando 194 pessoas, se inscreveram no Desafio Unicamp. Uma equipe com quatro integrantes foi premiada. Cada um recebeu R$ 3 mil em dinheiro, uma bolsa de estudos para o programa “RedEmprendia” e três anos incumbado para viabilizar seus projeto”, diz Beatriz Florence Martelli, responsável pela coordenação da competição. Desde 2003, a Inova Unicamp foi responsável por 94 patentes licenciadas. Já passaram pela In Camp (incubadora da Unicamp), 35 empresas. Hoje, são 10. “Nosso índice de sucesso está em 90%”.

Na GVCepe, a novidade deste ano está no Desafio Brasil 2013, que tem parceria com a Universidade de Berkeley, dos EUA. “Ele será o primeiro a ser desenvolvido no país dentro dos princípios de inovação aberta. Em um ambiente de co-criação, os competidores discutirão conceitos e poderão adaptá-los às suas propostas iniciais até o fim da premiação. Não vamos filtrar empreendedores, mas sim ideias, que serão julgadas pelos membros das comunidades abertas”, diz Bruno Rondani, que além de sócio-fundador da Allagi é coordenador do Desafio Brasil da FGV. No ano passado foram mais de 1,5 mil inscrições. Para 2013, mais de 160 grandes empresas já se cadastraram para oferecer premiações paralelas aos projetos.

Apesar dos muitos pontos favoráveis, as micro e pequenas empresas devem tomar alguns cuidados e saber dos riscos em participar das comunidades abertas em inovação. O pior deles é estar em um processo com regras não muito claras. Nesses casos, é natural que a empresa queira proteger a sua propriedade intelectual, pois, se abri-la totalmente dificilmente manterá um diferencial de mercado. “Não se deve abrir o código do registro da patente, sob o risco de entregar algo importante a um concorrente. Ter confiança no ambiente das comunidades e em quem está promovendo é fundamental”, diz César Mufarej, co-fundador da Tree Labs, aceleradora de startups. “Nosso trabalho é identificar possíveis falhas e corrigi-las para acelerar o ritmo de crescimento das empresas’, afirma. (RL)

Fonte: Valor

Publicações relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *