‘Tubby’ incita violência contra mulher, diz militante que foi à Justiça

App para homens avaliarem mulheres foi proibido pela Justiça de MG. Para integrante de coletivo em defesa da mulher, ‘Lulu’ também é agressão.

Antes mesmo de ser lançado, o “Tubby”, aplicativo para homens avaliarem o desempenho sexual das mulheres, foi proibido de ser lançado no Brasil por um juiz de Minas Gerais. Para Larissa Costa, de 26 anos, militante de um dos sete coletivos que pediu a proibição do app, o “Tubby” “incita a violência contra as mulheres”.

“O aplicativo é extremamente machista e violento”, afirmou a militante da Marcha Mundial das Mulheres em Minas Gerais ao G1. Para ela, o app “colocaria as mulheres como mercadoria”.

“É um absurdo você avaliar as mulheres publicamente e expor a intimidade delas assim”, diz Larissa. Na opinião de Larissa, o “Lulu”, app em que as mulheres avaliam os homens, também é uma forma de agressão, apesar de “não ter comentários violentos e muito escrachados”. “O nosso posicionamento é que a intimidade não deve ser divulgada de forma alguma. A gente não é a favor desse tipo de coisa”.

Entraram com o pedido de medida cautelar na Justiça de Minas Gerais os coletivos Frente de Mulheres das Brigadas Populares de Minas Gerais, Margarida Alves, Movimento Graal no Brasil, Marcha Mundial das Mulheres, Movimento Mulheres em Luta, Marcha das Vadias e Coletivo Mineiro Popular Anarquista (Compa).

Com base na Lei Maria da Penha, os grupos argumentaram que o aplicativo coloca as mulheres em risco e pediram a suspensão do “Tubby” antes mesmo que ele fosse baixado uma única vez. O pedido foi feito à Justiça ainda na terça-feira (4), véspera do dia em que o “Tubby” seria lançado. Posteriormente, a equipe responsável pelo app adiou sua chegada em dois dias.

“A lei [Maria da Penha] prevê que prevenir a violência contra a mulher compete também aos meios de comunicação social, que não podem ser usados para promover uma visão estereotipada da mulher”, diz Laysa Queiroz, advogada de 27 anos, que faz parte do coletivo Margarida Alves (veja aqui). O grupo do qual a advogada faz parte oferece assessoria jurídica popular. Seu nome é uma homenagem à líder sindical cujo assassinato completou 30 anos em 2013.

O juiz Rinaldo Kennedy Silva, titular da Vara Especializada de Crimes Contra a Mulher da capital mineira, aceitou o pedido dos coletivos e determinou a não circulação do “Tubby” em todo Brasil. “Há também fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, uma vez que depois de ofendida a honra de uma mulher por intermédio do mencionado aplicativo, não haverá como repará-la”, escreveu o juiz Kennedy.

O magistrado proibiu ainda que Facebook, a equipe do próprio “Tubby” e as lojas de aplicativos doGoogle (Google Play) e da Apple (App Store) permitissem a veiculação do aplicativo, sob a pena de multa diária de R$ 10 mil, em caso de descumprimento.

Segundo Larissa, a página do “Tubby” no Facebookjá começou a reunir agressões verbais contra as mulheres. “Tinha comentários do tipo: ‘Eu tenho um pênis e uma faca, um deles vai ter que entrar em você’. São posts extremante violentos e reproduzem a ideia de que o homens têm de manter as mulheres em posição de submissão”, afirma.

As postagens não foram feitas pela equipe do aplicativo, mas por usuários da rede social. Alguns desses comentários já foram apagados, mas as militantes guardaram cópias. “Nós não podemos legitimar um aplicativo que reproduz esse comportamento contra a mulher”, afirma Laysa.

Fonte: G1

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