Terapia por meio de LED é lançada pela Bios

Uma nova tecnologia não invasiva, que atua na estimulação do metabolismo celular, está revolucionando os tratamentos de reparação de feridas, pós-operatório e no alívio de dores.

Desenvolvida pela Bios Equipamentos Médicos, empresa incubada desde 2008 no Parque Tecnológico de São José dos Campos, São Paulo, a técnica utiliza o Bios Terapy II, equipamento que emite uma luz LED (Diodo Emissor de Luz, na sigla em inglês) e promove a reparação celular por bioestimulação, provocando analgesia (alívio da sensibilidade à dor) e ação anti-inflamatória. Com isso, o uso de medicação é minimizado.

O LED estimula o organismo a recuperar certos hormônios e enzimas que normalmente não são usados e funcionam como remédio autógeno do próprio corpo. A terapia com LED, que já recebeu a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é indolor e segura, e não apresenta efeitos colaterais. Não tem restrição de idade nem de tipo de pele para aplicação, disse o pesquisador Luis Augusto Conrado, dono da Bios e inventor da nova técnica.

O equipamento, segundo ele, pode ser usado no tratamento de feridas que não cicatrizam, dores articulares e reumáticas, clareamento dentário, processos inflamatórios degenerativos, tumores, crescimento capilar, clareamento de manchas, tratamento de acne, entre outros.

No caso de lesões malignas, o pesquisador disse que o uso do LED é precedido pela aplicação de uma substância fotorreagente que age seletivamente nas células tumorais. “O LED é aplicado em seguida para destruir apenas o tecido tumoral marcado com a droga fotossensível, sem afetar a pele sadia”, disse. Essa terapia também é conhecida como fotodinâmica.

A aplicação de LED como recurso terapêutico começou a ser investigada pela Nasa (Agência Espacial Americana) em 2003, em paralelo às pesquisas do uso do laser. Segundo Conrado, a Nasa chegou a usar o LED em astronautas, com resultados mais rápidos no tratamento de dores articulares e problemas ósseos, e para acelerar o processo de cicatrização no espaço, agravados pela falta de luz e gravidade.

Comparado ao laser, segundo Conrado, o LED tem apresentado resultados mais eficazes, pois o diâmetro do feixe do laser, em torno de 1 milímetro, dificulta a aplicação em grandes áreas do corpo, além de ter uma potência mais baixa – 50 a 100 miliwatts, em comparação com o LED, cuja potência é de 300 miliwatts. Além disso, o tratamento com laser é considerado mais demorado. O diâmetro do feixe do LED também é maior, da ordem de 1 centímetro.

O Bios Terapy II já faz parte da rotina de atendimento clínico do departamento médico da seleção principal e de base do time do Corinthians, em São Paulo. “O LED chamou a atenção pelo tempo rápido de alívio da dor e de retorno do atleta lesionado às suas atividades normais”, disse o fisioterapeuta e coordenador do Laboratório de Biomecânica do Corinthians, Luciano Rosa. O equipamento é usado em jogadores do clube para tratamento de lesões musculares e inflamação do tendão, há um ano.

A seleção principal do Corinthians, segundo Rosa, conta com cinco equipamentos, mas o objetivo é adquirir mais unidades para atender ao novo centro de treinamento da categoria de base, que está sendo instalado no Parque Ecológico em Itaquera, São Paulo. O Bios Terapy, segundo Rosa, não substituiu o equipamento de ultrassom, que já era adotado para tratar lesões e dores. Mas, a nova terapia serviu para aperfeiçoar a rotina de tratamento dos atletas.

Outro aspecto positivo do Bios Terapy, de acordo com Rosa, está relacionado à tecnologia. “A potência e a área de aplicação do LED são maiores que no laser, o que permite otimizar o tempo de uso e os resultados”, disse. O fato de ser portátil também é um fator de praticidade.

“Durante o período em que viajei com as seleções de base da Confederação Brasileira de Futebol, tanto na Granja Comary, em Teresópolis [Rio de Janeiro], quanto durante os jogos no Catar [Oriente Médio] e no torneio que tivemos em Barcelona [Espanha], usei o Bios Terapy no tratamento de lesões músculo-esqueléticas, com ótimos resultados”, afirmou.

O fisioterapeuta disse que o Bios Terapy também vem sendo utilizado de forma regular no atendimento de 3 mil pacientes por mês na clínica de fisioterapia Equality, de sua propriedade. “Na minha clínica, que fica em São José dos Campos, o equipamento substituiu o ultrassom, e a resposta foi muito positiva, principalmente no tratamento de dores, cicatrização e inflamação”, afirmou.

A praticidade do equipamento, que tem bateria com autonomia de duas horas, foi um dos fatores que atraíram a atenção de outros clientes, como o time de vôlei Futura, de Araçatuba, no interior paulista, e o time de futebol feminino de São José dos Campos, campeão da Libertadores em 2012. “Também já fomos procurados por outros grandes times de futebol interessados em experimentar o aparelho”, disse Conrado.

A terapia com LED, de acordo com o pesquisador, também vem mostrando bons resultados na área de dermatologia, em processos de rejuvenescimento. Ele disse que, além de estimular a produção de fibras colágenas (proteínas que dão sustentação à pele), o LED estimula a colagenase, enzima responsável pela destruição do colágeno em excesso. “Com isso, podemos observar uma melhora significativa em rugas finas, na textura da pele e em poros dilatados.”

No caso de clareamento dentário, o equipamento Bios Therapy é indicado especialmente para aplicação em pacientes que têm sensibilidade. A técnica também vem sendo usada na medicina geriátrica, no tratamento de dores articulares, deficiência de locomoção, processos inflamatórios degenerativos, acelerando a reintegração do paciente às suas atividades três vezes mais rápido que os métodos convencionais.

Fonte: Valor Econômico.

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