PUC-SP solicita patente de equipamento que extrai veneno de aranhas e escorpiões

Aparelho foi desenvolvido por cinco alunos do curso de Engenharia Elétrica, com a orientação de dois docentes

A PUC-SP acaba de efetuar o depósito da patente do “Eletroestimulador microcontrolado para extração de veneno em artrópodes”. O aparelho, desenvolvido por cinco alunos do curso de Engenharia Elétrica com a orientação de dois docentes do Departamento de Engenharia da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (FCET), é portátil e permite coletar o veneno de aranhas, escorpiões e lacraias sem estressar ou machucar os animais.

“Trata-se da primeira solicitação de patente em nome da Fundação São Paulo, em 67 anos de Universidade”, comemora o professor Aparecido Sirley Nicolett, um dos orientadores do projeto. “Até então, não havia um setor específico dentro da Universidade para acompanhar esse tipo de processo. Desde o início de 2012, trabalhamos com a Fundasp e a empresa Vilage Marcas e Patentes na elaboração da documentação e no pedido de depósito da patente. Todo o processo foi de aprendizado. Agora, uma vez que foi criado o caminho, vários projetos desenvolvidos por nossos alunos e professores poderão se tornar produto”, completa.

O depósito do equipamento no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) foi realizado pela Fundação São Paulo no dia 19/6. A solicitação do pedido de patente no Inpi em nome da Fundasp, dos dois orientadores (Nicolett e a professora Rosana Nunes dos Santos) e dos cinco alunos que desenvolveram o equipamento durante seu trabalho de conclusão de curso, em 2009: Artur Augusto Martins, Gisele Braga Gonçalves Alves, Rafael Monteiro, Ricardo Souza Figueredo e Sidnei Pereira.

De acordo com Nicolett, a finalização do processo do registro da patente pode demorar alguns anos (é preciso avaliar a originalidade do projeto no Brasil e no mundo, explica), mas com o comprovante definitivo do depósito já se pode comercializar o eletroestimulador. Ele diz que existe uma negociação em curso com uma empresa para a produção do equipamento. “Há demanda, pesquisadores brasileiros e de centros da Turquia e do Panamá já mostraram interesse. O objetivo principal de todo o nosso trabalho é poder disseminar um instrumento de extrema importância científica e que será útil para a sociedade”, afirma.

EFICIÊNCIA – Os alunos desenvolveram o equipamento no grupo de pesquisa em Automação e Controle, dentro da linha de pesquisa “Modelamento e Controle de Sistemas Biológicos”. De acordo com Nicolett, o equipamento foi produzido para solucionar as dificuldades que os pesquisadores do Instituto Butantã tinham na extração do veneno dos animais. Assim, o aparelho possui duas características principais que facilitam o trabalho de extração do veneno dos artrópodes: é microcontrolado e portátil.

Microcontrolado, ele permite adequar, às características físicas de cada animal, a intensidade de corrente elétrica que atravessará a aranha, o escorpião ou a lacraia. “O usuário pode realizar esse controle por meio do ajuste de quatro parâmetros: tensão de saída, corrente máxima de saída, tempo de permanência do sinal em nível alto e tempo de permanência do sinal em nível baixo”, explica Nicolett. Com o controle em tempo real dos estímulos elétricos aplicados, diminui-se a mortalidade dos animais e eles podem ser utilizados novamente no futuro; isso diminui a necessidade de se obter novos espécimes e aumenta a eficiência na coleta dos fluidos. “Tinha escorpião que dava três extrações durante sua vida útil e passou para seis, ou seja, com o mesmo animal foi possível dobrar a produção de soro”, exemplifica.

O aparelho também é portátil, por isso pode ser utilizado no habitat dos animais (sem a necessidade de recolher os animais para os laboratórios). O eletroestimulador já foi utilizado na pesquisa “Efeitos do veneno do escorpião Tityus paraensis em camundongos”, realizada no Pará pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas (INCTTox) e pelas Faculdades Integradas de Tapajós (FIT), e no próprio Instituto Butantã.

PROJETOS – Atualmente, o grupo de pesquisa em Automação e Controle está desenvolvendo outros dois projetos para a pesquisa do INCTTox na Amazônia. O primeiro é um eletroconvulsor para camundongos, projetado em parceria com pesquisadores do Laboratório de Farmacologia do Instituto Butantã. De acordo com ele, três alunos de TCC do curso de Engenharia Elétrica participam deste projeto.

Na mesma linha de montagem de eletroestimuladores, o grupo também desenvolve, em parceria com o Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantã, um equipamento para a extração de veneno de cobras do gênero Micrurus, conhecidas como cobras corais. O projeto envolve um aluno de iniciação científica com bolsa Pibic-CNPq, diz Nicolett.

Fonte: PUC – SP

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