Projeto nacional, mas com fabricação alemã

Parceria entre Treetech e LSI-TEC cria circuito integrado nacional para monitoramento de produção de eletricidade, mas não há fábrica no país capaz de produzir o chip.

A Treetech, fabricante nacional de equipamentos e programas de monitoramento de sistema de alta tensão, está testando um circuito integrado desenvolvido em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) da Universidade de São Paulo (USP). O produto deve ser incorporado ainda neste ano a equipamentos voltados a subestações de energia elétrica.

O projeto é um dos frutos do Programa CI-Brasil, iniciativa governamental implantada em 2005 com o intuito de intensificar a capacidade nacional de projetar circuitos integrados. O programa já criou sete design houses (unidades de projeto de circuitos integrados), uma delas no LSI-TEC. O CI-Brasil visa reduzir o atraso do país na área, mas ainda há muito a ser feito. Segundo o coordenador geral de microeletrônica do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Henrique de Oliveira Miguel, não há nenhuma fábrica no Brasil capaz de desenvolver lâminas de silício para circuitos integrados, a parte principal do componente. Por causa disse, o chip do LSI-TEC é fabricado na Alemanha.

Pequeno Notável

O chip, batizado de tt0307f, incorpora funções de monitoramente antes realizadas por uma combinação de componentes. De acordo com o projetista da casa de projetos de circuitos integrados do LSI-TEC, Hugo Daniel Hernández, a novidade poderá ser usada na produção de diversos equipamentos. Outros objetivos visados com o chip são flexibildiade, simplificação, redução de custos de manutenção, aumento da confiabilidade do monitoramento e elaboração de um componente resistente a condições de operações severas.

O produto mede 15 milímetros quadrados e seu custo de fabricação é de USS 16 por unidade. “Não há componente igual no mercado. Criamos algo personalizado para a Treetech“, diz Hernández. O gerente de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Treetech, Marcos Alves, tem visão similar. “Não existe algo tão específico, apenas peças e componentes genéricos, que precisam ser reunidos para desempenhar as mesmas funções desse chip”, afirma.

De acordo com Hernández, um transformador de alta tensão precisa ter diversas variáveis de seu funcionamento monitoradas, como a temperatura do óleo. “Um transformador desse tipo custa R$ 500 mil ou mais. Evitar danos significa economizar muito dinheiro”, diz.

O projeto foi apoiado pela Financiadora de Projetos (Finep) do MCT, que destinou R$ 122 mil à iniciativa. A Treetech entrou com R$ 51 mil.

Energia Inteligente

A Treetech têm se destacado no mercado por sua dedicação à inovação. De acordo com Gilberto Amorim Moura, gerente comercial da empresa, o faturamento da companhia – cujo valor não é revelado – cresceu 30% em 2009. Os produtos da marca já estão presentos em 32 países. Deste grupo, 11 são compradores regulares. Os principais destinos são Estados Unidos, Coreia do Sul, México, Portugal e Paraguai. Atualmente 20% do faturamento da Treetech advêm de exportações.

Entre os clientes estão empresas como Furnas, Eletronorte, Eletrosul, CPFL e Itaipu. No exterior, a Treetech fornece produtos à Western Area Power Administration (Wapa), concessionária pertencente ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, e à Energias de Portugal (EDP), entre outras. “Um dos nossos principais produtos é um software para gestão de ativos do sistema elétrico, que utiliza sensores aplicados à nova configuração de sistemas de energia elétrica, chamada grade inteligente (smart grids)”, diz Moura.

A Treetech pretende, até o final deste semestre, abrir um escritório nos Estados Unidos, o primeiro da empresa fora do Brasil. “O objetivo é ter uma base de suporte técnico e comercialização naquele mercado e, futuramente, uma célula de desenvolvimento”, diz Moura. A empresa destina 10% do seu faturamento à pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Fonte: Jornal – Valor Econômico.

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