Produtos típicos do Paraná buscam selo como diferencial de mercado

São dez frutos da terra que vão solicitar registro de Identidade Geográfica, junto ao INPI. Reconhecimento é semelhante ao do vinho do Porto, de Portugal e ao Champagne, da França.

Dez produtos do Paraná buscam a Indicação Geográfica (IG), um registro concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que confere qualidade, reputação, valor e identidade própria a determinado item, distinguindo-o dos similares ofertados pelo mercado. Assim como o vinho da região do Porto, em Portugal, ou o Champagne, da França, deverá haver a uva de Marialva ou o barreado (culinária típica) do litoral do Estado. A IG tem duas categorias: Denominação de Origem (DO) e Indicação de Procedência (IP).

No Paraná, o pedido de reconhecimento de IG está sendo feito, além da uva e do barreado, para o mel do Lago de Itaipu, o melado de Capanema, os queijos de Witmarsum, a goiaba de Carlópolis, a erva-mate de São Mateus do Sul, a farinha de mandioca, a cachaça e os derivados de banana do litoral paranaense.

O registro é concedido quando o produto conquista notoriedade pelos atributos, quando há tradição na produção ou quando a notoriedade é oriunda de características regionais, como solo, clima, vegetação e topografia. Muito mais que garantir procedência e originalidade, a IG agrega valor e torna o produto competitivo no mercado global.

O processo para reconhecimento demora, em média, três anos, mas vale a pena para os produtores e para a cidade ou região produtora. O consultor do Sebrae, em Maringá, Joversi Luiz de Rezende, que coordena o projeto em Marialva, diz que a expectativa é que até outubro de 2015 seja apresentada a proposta de registro de Indicação de Procedência (IP) no INPI para a uva fina de mesa.

Padrão
Ele ressalta que, para obter o título, é preciso padronizar o produto. “Marialva busca, por exemplo, um padrão estável de açúcar na uva de mesa”, observa. Ele cita que em Maringá não há um produto específico que possa ter o registro no INPI, mas para um futuro próximo considera-se a laranja produzida em Paranavaí e o mel, em Paraíso do Norte.

Rezende diz que a IG é um tema relativamente novo no Brasil. “O brasileiro começou a despertar agora para isso”, afirma. No País, há 30 produtos reconhecidos a partir de 2005 sendo um o café produzido no Norte Pioneiro do Paraná. A saca do produto, segundo o Sebrae, tem um diferencial médio no preço entre US$ 5 e US$ 15. E o café especial, até US$ 35.

O engenheiro agrônomo e também consultor do Sebrae, Marcos André Collet, ressalta que Marialva tem 40 anos de tradição no cultivo de uva, o que justifica a busca pelo reconhecimento da IG. “Mas tudo depende de aprovação do INPI”, ressalva.

O secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Marialva, Valdiney Cazelato, destaca que o procedimento para o reconhecimento da produção ainda está no começo. “Não temos garantia de que o INPE vá aceitar o pedido”, adianta. Ele declara que, por enquanto, a secretaria faz uma triagem para identificar os produtores que se preocupam com a qualidade do fruto. “O principal, neste momento, é referenciar o bom produtor para atestar a qualidade da produção”, explica. O município, segundo ele, conta com cerca de 800 produtores de uva.

CARACTERÍSTICA
“A base são as referências. Marialva busca, por exemplo, um padrão estável de açúcar na uva de mesa.”

Fonte: JOVERSI REZENDE | Consultor do Sebrae via Odiario.com

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