Pequim passa EUA em pedidos de patentes

A China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior requisitante de patentes no mundo, acrescentando uma qualidade inovativa ao poder econômico e industrial de Pequim.

De acordo com um relatório da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Ompi), divulgado ontem, houve 526.412 inscrições nos escritórios de patentes na China no ano passado. A grande maioria desses pedidos – que representam um quarto do total global – partiu de inventores e empresas chinesas.

“É um ponto de virada histórico”, diz Francis Gurry, diretor-geral da Ompi, entidade vinculada à Organização das Nações Unidas.

“Ainda que seja necessário um pouco de cautela na comparação direta de pedidos de PI [propriedade intelectual] de países, essas tendências, de todo modo, refletem como a geografia da inovação se modificou”, afirma o relatório.

Os Estados Unidos, que processaram 503.582 pedidos em 2011, estavam no primeiro lugar desde 2006. Os únicos outros países que já ocuparam essa posição são Alemanha e Japão.

Segundo Gurry, os dados mostram que a China está aderindo ao sistema de propriedade intelectual. Ele prevê que o país asiático manterá o primeiro lugar também neste ano. “Eu diria que eles estão produzindo mais, o que sugeriria que eles têm um forte interesse na proteção da produção tecnológica”, afirma.

Contudo, quaisquer esperanças de que os mercados chineses estejam dando as costas para a pirataria de produtos e marcas sofreram um abalo na terça-feira, com a divulgação de um estudo da Câmara do Comércio dos EUA que coloca Pequim como um dos piores defensores de patentes e copyrights.

Segundo Carsten Fink, economista-chefe da Ompi, o crescimento mais rápido nos pedidos de patentes durante os últimos cinco anos foi verificado no setor das comunicações digitais. “Por um lado, isso reflete oportunidades tecnológicas que existem nesse campo. Isso é algo que observamos todo dia quando usamos nossos smartphones. Mas também poderia se argumentar que seja um reflexo da competição feroz entre empresas inovadoras e da necessidade de proteger sua propriedade intelectual no mercado”, afirma Fink.

De acordo com a Ompi, o Japão ficou na terceira posição, com 342.610 pedidos de patentes apresentados em 2011. Depois vieram a Coreia do Sul, com 178.924, e o escritório europeu de patentes, com 142.793. O Brasil aparece no relatório com 22.686 pedidos.

Fonte: Valor 

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