Google não tem experiência em patentes, diz expert

Disputas sobre o Android indicam que a companhia ainda precisa aumentar negociações e base de registros

Aquisição de mais de 2.000 patentes da IBM e herança de 17 mil da Motorola são insuficientes

Os esforços do Google em adquirir patentes de outras empresas para proteger o sistema operacional Android de batalhas judiciais travadas pelos concorrentes ainda são insuficientes.

Na avaliação de especialistas em tecnologia ouvidos pela Folha, a corrida por proteção ao sistema operacional móvel depende de um conjunto maior de patentes que o Google só conseguirá com o avanço nos acordos de propriedade intelectual feitos com outros fabricantes.

O buscador comprou mais 1.023 patentes da IBM, a segunda iniciativa do gênero em um mês. Em julho, 1.030 registros foram arrematados da companhia e se somaram às 17 mil patentes que o Google herdou com a compra da Motorola no mês passado por US$ 12,5 bilhões.

“O Google é uma empresa de cerca de uma década de vida e tem menos experiência em propriedade intelectual e um portfólio muito menor de patentes do que gigantes como Microsoft, Apple, com 40 anos de vida, ou mesmo a centenária IBM”, diz Laura DiDio, especialista em tecnologia da consultoria norte-americana ITIC.
“É natural que a empresa esteja em uma corrida para tentar alcançar os outros competidores e aumentar o poder de barganha para o Android para negociar acordos de trocas de patentes com outros fabricantes”, afirma.

Na avaliação de DiDio, mesmo com a incorporação das patentes da IBM e da Motorola, o Google ainda não estará protegido das batalhas judiciais, justamente pelo descompasso entre o volume de registros de tecnologia. Entre os rivais de mercado que usam o jogo de patentes para cobiçar parte das receitas do Android estão Apple, Microsoft e Oracle, que disputam principalmente patentes relacionadas à interface do sistema operacional com os aparelhos.

A Microsoft já ganha mais com o licenciamento do Android -em virtude do uso de algumas de suas patentes- do que arrecada com o próprio sistema operacional, o Windows Phone. No ano passado, a Microsoft ganhou US$ 5 para cada um dos 30 milhões de smartphones da taiwanesa HTC vendidos no mundo, o que rendeu US$ 150 milhões -cinco vezes os negócios de seu próprio software móvel. Com as mais de 500 mil ativações diárias de celulares Android no mundo, estima-se que a Microsoft poderia criar negócio de quase US$ 1 bilhão ao ano só com as “migalhas” da receita do sistema operacional do Google.

PROTEÇÃO INTELECTUAL
Para John Strand, presidente da consultoria Strand Consult, especializada em telecomunicações e tecnologia, parte do problema também está relacionada à pouca estrutura de proteção à propriedade intelectual do Google para o sistema móvel. “O Android era uma ‘startup’ de tecnologia móvel que o Google adquiriu em 2005 e que não tinha nenhuma preocupação inicial sobre proteção intelectual. Por isso, o buscador teve de estruturar tudo do zero”, afirma.

Para Strand, as batalhas judiciais não devem diminuir nem mesmo com o aumento no portfólio de patentes do Google para o Android. “As patentes são a única forma legalizada de ter um monopólio. As empresas que têm patentes com alguma relação com tecnologia cada vez mais convergente, com aspectos móveis, de acesso à internet, se veem no direito de reclamar com o crescimento do Android. Isso não vai mudar tão cedo”, diz.

Fonte: Folha de S. Paulo

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