Alfabetização via celular apresenta resultados positivos em SP

Programa para jovens e adultos é acompanhado pela UNESCO e deve ser ampliado

O PALMA – Programa de Alfabetização na Língua Materna está sendo testado como ferramenta complementar a educação formal de jovens e adultos analfabetos. Desenvolvido pela empresa iES2, especializada em tecnologia para educação, o programa é composto por um aplicativo para smartphones, e por um sistema que controla o desempenho do estudante. O projeto piloto atinge cerca de 50 alunos de escolas municipais nas cidades de Campinas, Itatiba e Pirassununga, no interior de São Paulo, desde abril deste ano. Os testes, ao final da primeira fase, revelaram uma média de 70% de aproveitamento das atividades programadas, resultados bastante positivos na visão dos idealizadores.

Cerca de 50% dos alunos, que estão no projeto piloto, já participaram de outros programas de alfabetização e, de acordo com eles, foi mais fácil aprender com o PALMA, comparado aos outros métodos de ensino. “Um dos pontos mais gratificantes dos primeiros testes é o fato do aprendizado ter extrapolado a sala de aula, pois mais de 97% dos alunos conseguiu identificar no seu dia a dia (placas, letreiros, materiais impressos, propagandas, supermercado, entre outros) as letras estudadas no nível 1”, comemora o matemático e idealizador do PALMA,  Prof. José Luis Poli.

O objetivo inicial do programa é desenvolver competências básicas de leitura e escrita por meio digital. Para isso, jovens e adultos em estágio inicial de alfabetização receberam gratuitamente um telefone celular tipo smartphone, por onde acessam diariamente o programa. Lições sonorizadas complementam a alfabetização em cinco níveis: alfabeto, sílabas simples, sílabas complexas, vocabulário e interpretação de texto.

O desempenho é medido individualmente ao final de cada atividade através de um sistema de monitoramento instantâneo, via mensagem SMS. Após o envio das mensagens, o sistema aufere o desempenho da classe e com isto a professora tem o  mapa individualizado da aprendizagem do aluno. Os mesmos dados também são acessados pelo diretor da escola e secretário municipal da educação.

A UNESCO também acompanha o desenvolvimento e as avaliações técnico-pedagógicas do programa por considerar que “o PALMA apresenta um potencial importante como reforço para o processo de alfabetização de jovens e adultos que tanto desafia a maioria dos países em desenvolvimento”. Segundo o representante da UNESCO no Brasil, Vicent Defourny, a organização também considera que a interação da tecnologia com o processo de aprendizagem pode servir como estímulo para o jovem e adulto prosseguir com seus estudos, além de contribuir para a sua inclusão digital.

Os primeiros cinco níveis, referentes à alfabetização desses alunos deve durar de oito a dez meses. Desde que foi implementado em fase piloto, o programa já revelou aumento da frequência dos alunos nas aulas. Em pesquisa, os alunos afirmaram que têm mais vontade de aprender pelo celular, pois é inovador e pode ser manuseado em qualquer lugar, sem que se sintam expostos pela condição de analfabetos. Além de reduzir a evasão, espera-se diminuir o tempo de alfabetização, com maior grau de fixação da aprendizagem.

Outra motivação aos estudantes é a possibilidade de ganharem o celular ao final do curso. Isso porque, aqueles que tiverem bom desempenho na prova final levarão consigo o aparelho. Além de uma motivação para prosseguir no curso, a entrega do aparelho é uma ferramenta para retenção do conteúdo, uma vez que os smartphones serão entregues com créditos para mensagens sms, o que deve incentivar os alunos a continuarem a praticar o que aprenderam.

A IES2 já está desenvolvendo a continuidade do Programa, com a inserção de outras matérias da educação básica, como matemática e ciências naturais e sociais, que deve ser implementada no próximo ano. Os resultados positivos do projeto piloto marcam o início da expansão do PALMA para outras prefeituras e fundações ligadas à educação de jovens e adultos. Agora, a empresa está avaliando parcerias com a iniciativa privada para viabilizar a aplicação efetiva do PALMA nos programas de alfabetização no Brasil.

Ágata Comunicação

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