Músicos e filho de Renato Russo brigam por uso do nome da ‘Legião’

A banda chegou ao fim em 1996, com a morte do vocalista, Renato Russo. A marca está registrada por uma empresa que pertence ao filho de Renato.

Uma polêmica na música vira caso de Justiça. De um lado, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, músicos da Legião Urbana. De outro, Giuliano, o filho do líder da banda, Renato Russo. Quem, afinal, pode usar o nome Legião Urbana?

“Há uma insensibilidade que vai contra tudo isso que foi pregado nas letras do Renato, no nosso trabalho, onde a gente se entregou. Isso é aviltante”, reclama Bonfá.

“Desejo do meu pai, para mim, é lei”, garante Giuliano.

Marcelo Bonfá foi baterista da Legião Urbana. Dado Villa-Lobos, guitarrista. A banda chegou ao fim em 1996, com a morte do vocalista Renato Russo.

Giuliano Manfredini é filho de Renato. Ele tinha 7 anos quando o pai morreu. Aos 24 anos, ele cuida da herança do pai.

Nesta semana, Giuliano lançou um novo site da Legião, com fotos e histórias sobre a banda. E veio à tona um racha.

“O herdeiro não representa a banda Legião Urbana”, escreveu Dado em uma rede social.

“Eu não posso ver a minha vida, as nossas vidas, sendo manipuladas e geridas em um ambiente na internet e acreditar que aquela é realmente a história da banda”, queixa-se Dado.

“É um site que tem como objetivo juntar toda a informação que gira em torno da história da Legião Urbana e tornar isso acessível para o público”, conta o filho de Renato Russo.

O site é só um capítulo de uma disputa maior, que envolve o uso da marca Legião Urbana. A marca está registrada por uma empresa que pertence a Giuliano.

“Em determinado momento, no começo dos anos 90, final dos anos 80, um sujeito registrou a marca. A gente conseguiu junto a um juiz o ganho da causa e essa marca teve que ir para uma empresa que foi assumida pela empresa do Renato”, lembra Dado.

“Ou seja, a Legião Urbana pertencia a ele, junto o domínio da marca Legião Urbana. Dez anos se passaram e isso nunca foi contestado, com ele vivo”, argumenta Giuliano.

“Ele era tipo nosso irmão mais velho. Renato, vamos lá, advogados: ok, ok, tá tudo resolvido”, diz Dado.

“Quando meu pai morreu, ele deixou tudo para mim, por um desejo dele, e acabou se tornando um direito meu”, afirma Giuliano.

Portanto, legalmente cabe a Giuliano autorizar ou não o uso do nome da banda.

“Em todos os projetos que fomos convidados a resolver sempre teve alguma coisa assim: ‘ah, mas peraí, vamos ver isso então’”, observa Bonfá.

Em 2012, Dado e Bonfá foram obrigados a cancelar a participação deles num tributo à Legião que seria realizado em Curitiba.

“É impossível dissociar a marca do artista. E o artista somos nós”, destaca Dado.

“Eles são os donos da capa do livro. O que que tem dentro?”, questiona Bonfá.

Fantástico: Para você, Dado e Bonfá podem usar o nome Legião Urbana?

Giuliano: Podem! E acho que devem! Eu quero ver os caras trabalhando, eu quero ver os caras na rua circulando, eu quero ver os caras vencerem.

Mas os ex-integrantes querem garantir esse direito por escrito e por isso estão processando a empresa de Giuliano.

“Estamos falando de direitos que estão no mesmo patamar, no mesmo status constitucional. O judiciário vai ter que criar, não existe uma solução pronta no sistema para esse problema, que harmonize esses dois direitos”, explica a professora de direito constitucional da Uerj Ana Paula de Barcellos.

As músicas da Legião não estão em disputa. Dado e Bonfá podem tocá-las, já que são coautores da maioria delas. Mas há um acervo inédito do grupo que não será lançado enquanto a questão da marca não for resolvida.

“A gente quer, por exemplo, lançar o DVD do Metropolitan. Eles estão dizendo não”, reclama Giuliano.

“Se for ocorrer algum projeto de relançamento, sobras de estúdio, enquanto essa situação tiver nessa condição, não há menor possibilidade de isso acontecer”, afirma Dado.

Uma audiência de conciliação foi agendada para a próxima quarta-feira.

“Eu quero a participação de todos, diálogo”, alega Dado.

“Eu estou sempre disposto a conversar. Sempre de portas abertas”, argumenta Giuliano.

“Para a sobrevivência econômica e cultural desse acervo, algum acordo vai ter que se construído”, acredita Ana Paula de Barcellos.

“São as nossas vidas, a nossa história que foi escrita durante quase duas décadas sem pensar muito nessa questão de marca. E aí hoje a gente se vê numa situação esquisita”, diz Dado.

Fonte: G1

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