Lojas disputam o nome em Bagé

Na lápide do pai de Wafa Mahmud está a inscrição: “Seu José da Marisa”. O nome feminino faz referência à loja que fundou há 46 anos, na esquina das ruas 7 de Setembro com Marechal Deodoro, no centro de Bagé, na região da Campanha.

Agora, o negócio que praticamente virou complemento para o sobrenome da família Mahmud deverá ter outro nome.

Uma decisão judicial impede que a loja bajeense continue usando a marca, a partir da chegada da rede nacional de lojas homônima, inaugurada na sexta-feira.

Wafa herdou a loja com a morte de “Seu José da Marisa”, na verdade, batizado como Sheladeh Mahmud, há quatro anos. Desde então, mantém oito funcionários, que atendem clientes interessados em roupas masculinas, femininas e infantis, além de produtos de cama, mesa e banho.

Assim que chegou à cidade de cerca de 115 mil habitantes, a rede de varejo Marisa, de origem paulista, foi à Justiça e exigiu a mudança no nome fantasia da loja bajeense, além da retirada do material publicitário. Em primeira instância, a Justiça deu prazo de 15 dias para o cumprimento da decisão, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. Com o recesso judiciário, o prazo foi estendido até 20 de janeiro.

– Justo agora, que tinha acabado de investir mais de R$ 13 mil em uma nova placa, sacolas, brindes, como canetas e calendários – lamenta Wafa.

Proprietária chegou a organizar abaixo-assinado

O advogado da comerciante, Eduardo de Moura, ingressou com um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça para reverter a decisão.

– É uma loja local que não tem possibilidade de expansão. Acreditamos que os nomes iguais não atrapalham – nem concorrentes são – explica.

Para o publicitário Alessandro Souza, diretor do curso de Publicidade e Propaganda da ESPM, o caso ilustra uma carência do empresário gaúcho. Segundo ele, é preciso cuidado com o registro de marcas e patentes.

– Uma empresa pode arriscar perder o nome por não registrá-lo. Para sensibilizar o judiciário, Wafa organizou um abaixo-assinado. Em dois dias, mais de 1,5 mil pessoas apoiaram a causa. Mesmo depois o documento foi enviado à Justiça como um anexo ao agravo de instrumento, os clientes continuam assinando outra folha.

– É possível que a empresa consiga fazer uma limonada. Para isso precisa investir muito em comunicação, deixar claro aos clientes que está mudando o nome, mas não o serviço – comenta Souza.

Procurada, a rede Marisa manifestou-se por meio de nota, afirmando que, “ao longo de mais de 60 anos de história no varejo, construiu sua imagem e reputação com base em rigorosos princípios éticos, dentre os quais incluem o respeito às leis, práticas de marcado e às comunidades onde está inserida, fazendo parte de sua política sempre combater o uso indevido da sua marca.”

Fonte: Jornal Zero Hora

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