Forma e conteúdo

A beleza abre portas. Pelo menos para as empresas que querem se destacar da concorrência e ganhar consumidores com a ajuda do design. Empreendedores de diferentes segmentos ouvidos pelo Valor confirmam um aumento de até 30% nas vendas depois dos investimentos em novos desenhos de mercadorias, embalagens e pontos de venda.

A repaginação das ofertas tem ajudado as companhias a ganhar mercados, reposicionar marcas e planos de negócios. Segundo especialistas, o setor de alimentos e bebidas é o que mais investe em design no Brasil, mas há iniciativas na área de cosméticos e em pequenas fábricas de mobiliário.

Na Talchá, especializada em chás, a preocupação com o visual começa no ambiente das lojas e vai até a mesa do cliente. Com um cardápio de mais de 70 sabores, o projeto do ponto, inspirado em uma biblioteca, é assinado pelo arquiteto Márcio Kogan, enquanto a bebida é servida em acessórios de linhas arrojadas. “Investimos 8% do faturamento anual no design de produção”, diz a sócia Mônica Rennó, com unidades nos shopping Pátio Higienópolis e JK Iguatemi, em São Paulo (SP).

Com 26 colaboradores, a empresa foi criada em 2010 e vende cerca de quatro mil itens ao mês, entre chás, acessórios e acompanhamentos, como doces e sanduíches. O cardápio tem preços de R$ 14 a R$ 79. Os investimentos em design começaram um ano antes da abertura da primeira loja, segundo a empresária, que deixou o mercado financeiro para abrir o negócio.

“Contratamos uma agência de design que desenvolveu as embalagens e a identidade da marca.” Agora, novos aportes são dirigidos para criar latas e caixas de presentes com seleções da bebida. Um terceiro ponto na cidade também está em estudo. Apesar de não revelar números, Mônica espera um crescimento de 15% nos negócios, em 2013.

Para Fábio Mestriner, coordenador do núcleo de estudos da embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), cerca de 90% dos produtos lançados no mercado não têm apoio de marketing ou propaganda. “Com isso, contam apenas com a embalagem como único recurso para competir”, explica. “Esse cenário favorece as pequenas empresas que, ao proverem um bom design para as mercadorias, reduzem a distância que separa suas ofertas dos itens das grandes marcas.”

Em Belo Horizonte, a empresária Janine Oliveira Capelão resolveu rever o nome da empresa, produtos e embalagens. A ex-Organização Mineira de Produtos Farmacêuticos (Ormifarma), de cosméticos direcionados à clínicas de estética, passou a se chamar Terraie, e metade das mercadorias à venda já foi redesenhada. As ações elevaram as vendas em 15% e a meta é trocar todas as embalagens até o final de 2013.

“A empresa tinha uma marca que lembrava farmácia de manipulação. Foi a primeira mudança. Depois, foi a vez dos rótulos e embalagens, para facilitar o manuseio. Também trocamos as tampas dos frascos e incluímos materiais mais resistentes.” A Terraie vende 35 itens, entre cremes corporais e faciais, óleos e esfoliantes, com uma produção média de 25 toneladas de produtos ao mês.

A reviravolta na empresa começou depois que Janine procurou o Sebrae. A instituição mantém um programa desde 2004 que orienta micro e pequenos negócios no desenvolvimento de embalagens mais atraentes. Até hoje, foram investidos R$ 4 milhões na iniciativa, que desenvolveu cerca de três mil embalagens para 537 empresas em 18 Estados e no Distrito Federal, segundo Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Sebrae. “Com a parceria do Sebrae, o nosso investimento foi de apenas R$ 7 mil, ou 50% do total do projeto”, diz Janine.

Segundo Renato Hayashi, professor de design gráfico da Panamericana Escola de Arte e Design, a adesão dos pequenos empresários à linhas de produção mais inovadoras tem crescido, mas ainda há chão pela frente. “Nos últimos anos, o empreendedor aprendeu que, se o produto não tiver uma boa apresentação nas gôndolas não vai vender e, dependendo do caso, nem chegará às prateleiras”, afirma.

Ronnie Sérgio, diretor da VR Lux, dona da marca Volare, de luminárias e ventiladores de teto, trocou o uso de vidros e partes importadas de peças adquiridas em fornecedores por criações autorais, assinadas por designers e por uma equipe interna de desenvolvimento. “Dessa forma, passamos a ter ofertas exclusivas”, diz o empresário, baseado em São José do Rio Preto (SP).

Com uma produção de 32 mil unidades ao mês, Sérgio já percebe um maior reconhecimento da marca no mercado.

Com investimento de cerca de R$ 600 mil, a Volare está lançando luminárias assinadas pelo designer Harry Allen, com obras na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa).

Fonte: Valor Economico

 

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