Barretos é a festa do empreendedor

Segura, peão: festa injetou cerca de R$ 400 milhões na economia regional, ativando comércio e hotéis e gerando 15 mil empregos diretos e indiretos

Montadoras de estrutura, empresas de segurança, bufês, decoradores, instaladores de som, tratadores de animais, selarias, lojas de roupas e artigos country estão entre os empreendimentos que aproveitaram as oportunidades geradas pela grade de shows e competições que se estendeu por 11 dias no Parque do Peão, onde todos os anos acontece a tradicional Festa do Peão de Barretos, no interior paulista. Muitas empresas vivem dos rodeios, ou da cultura caipira, um negócio bilionário no país. “Aqui tem empresa que ganha dinheiro até alugando copos”, afirma Hugo Resende, presidente de Os Independentes, entidade organizadora da festa.

A grande festa de Barretos – a 440 quilômetros de São Paulo – arregimenta um verdadeiro exército de empreendedores. Horas antes do início do evento, no dia 16, o parque estava tomado por profissionais determinados a ajustar os últimos detalhes. “Mais de quarenta empresas trabalham apenas na montagem do rodeio”, comenta Resende.

Marcos Murta, diretor de planejamento de Os Independentes, explica que há ali uma cadeia de contratação, que envolve tropeiros e donos de boiada. Cerca de quatro mil animais passam pelo evento e todos pertencem a criadores contratados. “Eles demandam profissionais e empresas que cuidam e montam estruturas para acomodá-los.” Outro ponto de negócio está na feira comercial, que reúne desde comércio de lembrancinhas até negócios especializados na indumentária do peão de boiadeiro. Um universo de chapéus, botas, berrantes, selas e artigos de couro. “Entre alimentos e bens de consumo, são 300 pontos de venda.”

Os números de Barretos dão um exemplo claro do potencial econômico da festa. Para entreter o público concentrado em torno da ferradura (arena desenhada por Oscar Niemeyer), Os Independentes investiram, neste ano, R$ 20 milhões. “O retorno é garantido e além de pagar a festa, o lucro mantém a nossa estrutura o ano inteiro”, conta Resende. Pelas contas da entidade, a festa injetou cerca de R$ 400 milhões na economia regional, ativando setores como o hoteleiro, comércio e transportes. Estima-se que, pelo menos, 15 mil empregos – entre diretos e indiretos – são gerados pelo evento. Mais de 900 mil pessoas participaram da edição deste ano. “Hotéis localizados em cidades a 50 quilômetros de Barretos ficaram lotados.”

A Festa do Peão de Barretos é caso emblemático de um segmento que cresce entre 3% e 5% ao ano e gera cada vez mais negócios por aqui. O evento tradicional no interior atrai tanto o público rural como urbano, ampliando o consumo regional. De acordo com a Confederação Nacional de Rodeio (CNAR), são realizados no Brasil mais de 1,6 mil rodeios por ano. O segmento movimenta mais de R$ 5 bilhões, somando o faturamento das festas, feiras, leilões, shows e produtos e serviços relacionados. O agronegócio é o que mais se beneficia, ao agregar feiras e exposição à festa. Além de Barretos, os rodeios são eventos importantes em outras cidades do interior paulista como Cajamar, Paulínia, Jaguariúna e Americana. Estendem-se ainda ao Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Caxias do Sul, Paraná e Mato Grosso.

Os eventos regulares – que acontecem todos os anos – movimentam R$ 2 bilhões. Segundo a Liga Brasileira de Esportes de Montaria, 450 edições estão na lista das competições profissionais. “Separamos os rodeios profissionais daqueles realizados para promover políticos, comemorações ocasionais ou sem periodicidade definidas para traçar um perfil mais exato do esporte”, explica Flávio Junqueira, conselheiro da entidade e presidente da PBR Brazil, braço da organizadora dos rodeios americanos. “EUA e Brasil são os principais circuitos de rodeio no mundo atualmente”, afirma. A PBR atua no Canadá, Austrália e México.

Para Junqueira, as oportunidades de negócios são inúmeras porque os rodeios são mais do que o esporte: as arenas trazem entretenimento, atraindo mais público. “Vem quem gosta de montaria e quem quer assistir aos shows ou ir ao parque de diversões”, diz.

Outro mercado fértil está nas ações de relacionamento. Grandes empresas como Ambev apostam nos camarotes para estreitar contatos com clientes, e contratam desde empresas de apoio estratégico de marketing até decoradores e bufês. “Os rodeios já são o principal evento de entretenimento do país, quando considerado o tamanho do público. Como esporte, perde apenas para o futebol”, destaca Junqueira.

O gosto pela montaria pode ser explicado pelo bom desempenho agropecuário. Em 2011, o PIB do agronegócio avançou 5,73%, totalizando R$ 942 bilhões, de acordo com o Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada.

Por Ediane Tiago | Para o Valor, de Barretos

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