Água de Cheiro compra a Akakia, de SC, e prevê chegar a mil lojas este ano

Aquisição de empresa catarinense faz parte da estratégia da holding controladora da empresa, a Globalbras, de recuperar a marca adquirida há 18 meses – que já foi referência no mercado brasileiro, mas era considerada decadente

A Globalbras, holding que há 18 meses comprou a marca mineira Água de Cheiro, acaba de adquirir outra empresa do setor, a catarinense Akakia. Com o negócio, serão incorporadas pelo menos 100 novas lojas e 400 novos itens à linha de produtos da Água de Cheiro. Segundo o presidente da Globalbras, Henrique Alves Pinto, a aquisição servirá de “trampolim” para o objetivo da Água de Cheiro de elevar seu número de lojas para mil até o fim deste ano.

A Globalbras decidiu comprar a Água de Cheiro pela ausência de uma rede “vice-líder” forte o bastante no País para fazer frente a O Boticário. O empresário foi atraído pelo potencial do mercado – segundo a Abihpec, entidade que congrega empresas de perfumaria e cosméticos no País, a receita do segmento cresce acima de 10% ao ano há mais de uma década.

Desde a compra da Água de Cheiro, a holding Globalbras já investiu R$ 150 milhões no novo negócio. A rede, que contabilizava 269 lojas na época da aquisição, chegará a 621 unidades com a incorporação da Akakia. Para o Dia das Mães, a meta é ter 800 unidades. Mais 200 pontos de venda devem ser abertos até dezembro.

Para garantir a expansão, a Globalbras vai assumir o investimento para a abertura de lojas em pontos mais caros – como shopping centers voltados às classes A e B – e estreitar o relacionamento com os chamados “empresários de franquia”. “Temos um franqueado com 13 lojas. É gente que já investiu em marcas de outros segmentos, como Spoleto, Hering e Portobello”, explica Alves Pinto. Fora o custo do aluguel e luvas do ponto, abrir uma unidade da Água de Cheiro custa R$ 100 mil.

Herança. O empresário admite que, para chegar a uma participação relevante no mercado, terá de superar a “herança” negativa da marca adquirida. Depois de rivalizar com O Boticário nos anos 1980, a Água de Cheiro caiu em decadência. Em 2009, quando foi comprada, contabilizava faturamento de R$ 60 milhões em suas 269 lojas (ou cerca de R$ 220 mil ao ano para cada unidade). Já O Boticário, no ano passado, vendeu cerca de R$ 4 bilhões em suas 3 mil unidades (ou R$ 1,3 milhão por unidade, na média). Na avaliação da maior parte do mercado, a marca estava em uma espécie de “limbo”.

Embora o presidente da Globalbras não revele o quanto pagou pelo negócio, um empresário do setor de franquias que também considerou a compra da Água de Cheiro há cerca de três anos diz que a transação deve ter envolvido a troca de dívidas e um pequeno pagamento em dinheiro.

Sabendo que a lembrança da marca na cabeça do consumidor era vaga, Alves Pinto se apressou em fazer um “face lift” de emergência na Água de Cheiro: modernizou parte das embalagens dos produtos, acrescentou alguns itens, remodelou as lojas e fez uma parceria para usar obras do artista Romero Britto em materiais de ponto de venda e sacolas. “Inicialmente a parceria, que começou em novembro, iria até março. Mas o Romero quer se popularizar, e já fechamos contrato com ele até 31 de dezembro.”

Para “turbinar” o marketing, a empresa contratou a atriz Deborah Secco como garota-propaganda. “Isso foi sorte. Não dava para a gente imaginar que ela faria tanto sucesso na novela (Insensato Coração) e no filme Bruna Surfistinha”, diz o presidente da Globalbras.

Com uma estrela em evidência, o crescente número de franqueados servirá para dar escala ao trabalho de reintroduzir a marca no imaginário do consumidor brasileiro. “Esse é o tipo de negócio que tem de ser grande. É preciso ter presença maciça na mídia.”

Fonte: Estadão

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