Fim de patentes impulsionará mercado da impressão 3D

Ao mesmo tempo em que novas empresas entram no mercado, modelo de produção caseira de objetos se populariza e traz novos questionamentos

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O movimento de criadores, ou makers, deve ganhar ainda mais gás em 2014. A previsão é feita com base no fim de algumas das patentes mais importantes no campo da impressão 3D. Até lá, mais competidores entram nesse mercado com suas impressoras e scanners (que copiam objetos reais e o transformam em bits, permitindo assim a sua cópia) ou oferecendo seus serviços de design ou de fabricação. Em jogo, está um mercado que unido deve passar dos 10 bilhões de dólares em 5 anos.

Dados apontam que o scan 3D deve avançar dos seus mais de 3 bilhões atualmente e chegar a 9,8 bilhões em 2018, enquanto o de impressão 3D deve bater os 6,5 bilhões em 2019. Todos esses números para dizer que o falatório do escritor e ativista digital Cory Doctorow, desde 2010, e a carimbada do escritor e ex-editor da Wired, Chris Anderson, quando cravou em artigo e posteriormente em livro que estávamos nos encaminhando para a próxima revolução industrial, talvez não se tratasse de mera especulação produzida por gente empolgada com novas tecnologias.

Tecnologias que permitissem a modelagem de objetos em três dimensões por impressoras já são desenvolvidas desde a década de 1980. Começou com Chuck Hull, posteriormente fundador da 3D Systems, autor do método de estereolitografia (SLA), usado hoje pela Formlab, no qual um laser solidifca o material descarregado pela máquina formando o objeto. Na Universidade do Texas, surgiu o SLS, método de sinterização na qual lasers fundem materias diferentes como vidro, metal e plástico. Por fim, o método FDM (Fused Deposition Modeling), patenteado por Scott Crump, fundador da Stratasys, que cria os objetos depositando termoplástico em camadas seguindo coordenadas X, Y, Z dadas por um software – é o utilizado pela brasileira Metamáquina.

As patentes registradas por Crump expiraram em 2009, ano em que “coincidentemente” começaram a surgir dezenas de startups (graças aos milhões que recebiam via crowdfunding, vide Pirate3D e a Formlab) como a MakerBot, fabricante da Thing-O-Matic e da Replicator, com o propósito de transformar impressoras 3D em máquinas pessoais, assim como a Apple fez com os computadores. A coisa deu tão certo que a Stratasys comprou a MakerBot por pouco mais de US$ 400 milhões no mês passado.

Em fevereiro do ano que vem, patentes relacionadas ao SLS também vão expirar. E é a expectativa de que mais uma explosão de modelos de impressoras ocorra, dessa vez ainda mais baratas e com resoluções ainda maiores, que tem animado a indústria nos últimos tempos.

Na esteira dessa indústria, surgem empresas que querem sentar na janelinha rumo a essa “nova revolução industrial”, na qual todos são criadores e os objetos de consumo são cada vez mais personalizados. No caso da impressora 3D, eles são desejados, idealizados (ou copiados a partir de scanners, como o Digitizer da MakerBot, que ainda está por vir), desenhados e produzidos. Entre essas etapas da cadeia, cabe muita gente. E é daí que estão surgindo serviços como a Bhold, entrando na disputa de um mercado que começou há alguns anos (como aShapeways, criada em 2007), mas ganha atenção agora.

Assim como Chris Anderson, que largou a Wired para fundar a sua própria fábrica de Drones – e incentivar o DIY, sigla que representa todo o movimento citado por ele, que significa “do it yourself”, ou “faça você mesmo” –, a fundadora da Bhold, Susan Taing, abandonou seu emprego no Google, como gerente de marketing e produtos, para se dedicar à “nova indústria”.

Fundada em abril de 2013, no bairro de Soho, em Nova York, a Bhold fabrica em 3D produtos sob demanda, apostando no design sofisticado em soluções diárias para esses “novos consumidores”. Susan usa o conceito de “design responsivo de produto” para ilustrar a forma de trabalho da empresa, oferecendo ao consumidor um produto idealizado por ele em um tempo mais curto do que a indústria tradicional. A expectativa é de que nos próximos anos, marcas e designers independentes sejam cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas.

À GALILEU, Susan disse que se jogou na indústria 3D por acreditar que o número de players, ou concorrentes, não chegou a um bom nível ainda. Após três meses estudando o mercado, entrou com o propósito de não ser uma mera entregadora de produto sob demanda, mas de dar mais importância ao design dos produtos, tirando proveito das possibilidades únicas permitidas pela impressora 3D.

Para Taing, a nova indústria não substituirá a tradicional, mas “definitivamente assumirá posições pequenas e importantes partes do processo de fabricação de produtos, resolvendo grandes ineficiências”. Empresas como a Bhold resolverão também um problemão não da indústria, mas de nós, consumidores. Afinal, quantos aí tem um designer em casa para chamar de seu?

“Atualmente ainda se faz necessário uma pessoa mais experiente para operar as impressoras, além de ter que possuir habilidades de software de modelagem para criar modelos originais em 3D”, diz Susan. “Mas já é extremamente fácil imprimir o que outros já criaram e disponibilizaram para download.”

O que Susan expõe é uma das grandes discussões desse novo momento. “Então eu posso fabricar o que eu quiser em casa apenas baixando o arquivo em 3D pela internet?” É… sim. É possível fazer o download de muitos projetos 3D compatíveis com softwares de impressoras disponíveis no mercado – o site mais popular da categoria talvez seja o Thingiverse. Além de baixar, com os scanners 3D será possível copiar qualquer coisa, inclusive armas, abrindo uma infinidade de discussões sérias sobre os perigos que vêm da tecnologia 3D.

Para Taing, olhando para o lado bom da coisa, 2013 será um ano “surpreendente” para quem gosta de ideia de scanners 3D de uso pessoal, além de softwares e aplicativos que devem colaborar para facilitar a modelagem 3D. Novos materiais e cores devem se tornar compatíveis, o que dará ainda mais qualidade para os objetos 3D. Além disso, a melhor notícia é que, se Susan estiver correta em suas previsões, os preços vão cair a níveis nunca vistos, inclusive no Brasil.

Fonte: Revista Galileu

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