Fifa tenta proteger investimento de patrocinadores

A proteção de marcas para a Copa do Mundo é um negócio de US$ 1,4 bilhão para a Fifa. Este é o valor arrecadado pela instituição de 20 grandes companhias que apostam na visibilidade da Copa para vender seus produtos e reforçar suas marcas perante clientes no Brasil e no mundo todo. A competição de futebol, tratada como a galinha dos ovos de ouro, é a única dos 30 campeonatos da Fifa que dá lucro à federação.

Cerca de 93% das receitas da Fifa são arrecadadas com o torneio, diz o advogado Vicente Rosenfeld, responsável pela área de proteção de direitos dos patrocinadores da Fifa Brasil. É essa a leitura que orienta a estratégia da Fifa para preservar nomes, frases e até figuras que podem ser associadas por consumidores à Copa que ocorre entre os dias 12 de junho e 13 de julho.

Campanhas de marketing com referências ao mundial feitas por companhias que não são patrocinadoras oficiais, o chamado marketing de emboscada e a pirataria praticada nas ruas das cidades brasileiras são as grandes ameaças para a realização de um campeonato financeiramente bem-sucedido, na concepção da entidade. O esforço de preservação de interesses comerciais envolve desde a promulgação da Lei Geral da Copa – que torna o marketing de emboscada crime entre junho de 2012 e dezembro de 2014 – ao furo na fila de registro de marcas do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), à fiscalização por parte das forças policiais e, em última instância, a Justiça.

Antes da Copa das Confederações, a Fifa já havia divulgado notificações a mais de 100 empresas, apenas em 2013, por referências irregulares a seus campeonatos.

Rosenfeld, da Fifa, citou casos em que a federação de futebol advertiu empresas no Brasil. Em uma campanha, a operadora de telefonia Vivo, patrocinadora da seleção brasileira de futebol, adotou o slogan “O melhor Mundial de todos os tempos”. Para a Fifa, a marca tentou se associar comercialmente à Copa, uma vez que “Mundial” é um dos termos que designam o campeonato de propriedade da entidade. Outra operadora de telefonia, a Oi, é patrocinadora da Copa no Brasil. Procurada, a Vivo não comentou especificamente o assunto. A Oi não quis se manifestar.

Empresas de menor porte também podem ser procuradas pelos advogados da entidade. Um hotel de Brasília e um restaurante em Recife se classificaram como “Da Copa”. A Fifa notificou as empresas e pediu para deixarem de fazer a associação com o campeonato.

No Inpi, a Lei Geral da Copa, aprovada em junho de 2012, permitiu que a Fifa furasse a fila de registro de marcas. Hoje uma empresa demora três anos para registrar uma marca. Mas os pedidos da Fifa foram avaliados em meses. “O que o legislador quis foi o seguinte: passa a Fifa na frente”, diz Vinícius Câmara, diretor de marcas do Inpi. “O papel do Inpi é cumprir a lei, então criou-se uma fila específica justificada pela importância do tema, mas o rigor na registrabilidade permaneceu.” A lei também deu preferência à Fifa para registrar uma marca que esteja sendo pleiteada por outra empresa.

A fila preferencial anda rápido. Desde 2012 a federação de futebol registrou ao menos 95 marcas de alto renome, que impedem a utilização de seus termos mesmo para negócios de outra área, como um restaurante, por exemplo. Entre nomes e figuras, estão na lista desde termos como “pagode” até a imagem da taça. Os patrocinadores do evento são beneficiários indiretos por poderem usar as palavras e imagens protegidas.

Algumas ações driblam as restrições. Em 2012, a Nike lançou uma campanha para a Olimpíada de Londres filmada em outras cidades de mesmo nome em diversos países. Sem ser patrocinadora, a empresa fazia outra referência à competição realizada na Inglaterra: “a grandeza não está em um lugar específico”, dizia o narrador.

Concorrente da Nike na disputa global pelo mercado de roupas esportivas, a Adidas aposta no patrocínio à Copa para ganhar a liderança no Brasil em 2014. O vice-presidente global de futebol da Adidas, Markus Baumann, confirma a preocupação da companhia com o marketing de emboscada.

Pagando milhões em contratos de exclusividade, os patrocinadores costumam deixar a fiscalização nas mãos da Fifa. “Esta é uma questão para a qual a Fifa precisa se preparar. Eles não têm apenas a Adidas, mas todas as outras companhias como parceiras e que estão preocupadas”, afirmou Baumann.

Na Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro a atenção com a preservação das marcas da Fifa é tamanha que merece reuniões periódicas com membros da federação e dos patrocinadores. O objetivo é treinar os policiais para saber proteger os interesses das companhias, uma vez que as polícias estaduais serão as responsáveis por coibir ações de marketing de emboscada e pirataria na Copa.

“O papel das secretarias é fiscalizar, fazer eventuais prisões e apreensões”, afirma o delegado da Polícia Federal André Rodrigues, secretário extraordinário de grandes eventos da Secretaria de segurança do Rio. “A proteção das marcas é parte dos compromissos assumidos pelas cidades-sede”, afirma. Durante a Copa os policias serão responsáveis por fiscalizar as chamadas “áreas de exclusão”. No perímetro de dois quilômetros dos estádios apenas produtos dos patrocinadores do torneio poderão ser vendidos.

Fonte: Valor econômico.

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