Erva-mate do Paraná pode ganhar certificação nacional de propriedade

As regiões centro-sul e sul do Paraná, produtoras de erva-mate, solicitaram a certificação de indicação geográfica (IG) conferida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A certificação aponta a procedência da erva-mate e representa um reconhecimento das qualidades particulares do produto proveniente destas regiões, podendo agregar valor na sua comercialização e abrir novos mercados.

O pedido de certificação abrange também a região norte catarinense e contempla 35 municípios do Paraná e 17 de Santa Catarina. O projeto foi apresentado ao secretário estadual da Agricultura, Norberto Ortigara, no dia 3 de junho de 2014 e agora passa pela fase de estruturação e arrecadação de recursos para ser apresentado ao INPI.

A erva-mate produzida nessas regiões é de cultivo sombreado e se diferencia das demais porque cresce em meio à mata nativa e possui um sabor menos amargo, evitando a adição de açúcar em sua composição. “A erva-mate sombreada tem mais qualidade e é importante que seja reconhecida como um produto genuíno e mercadologicamente diferenciado”, diz o secretário Norberto Ortigara.

De acordo com o pesquisador e coordenador do projeto, Francisco Paulo Chaimsohn, o centro-sul e sul paranaense produzem uma erva com qualidade genética própria que deve ser conservada. “É um sistema de produção característico da agricultura familiar, que tem poucos problemas com pragas e doenças, permitindo uma erva de mais qualidade e originária do Paraná”, explica.

O pedido para a indicação geográfica parte também dos agricultores, que dependem do cultivo da cultura para o sustento da família. Segundo Chaimsohn, caso a certificação seja concedida, ela beneficiará 170 mil produtores somente no Paraná. “A erva-mate é um sistema complexo e tem grande importância sócio-econômica para a agricultura familiar. Se um produtor desiste da cultura, pode demorar cerca de 20 anos para reconstruir o sistema, por isso é preciso criar incentivos”, diz o pesquisador.

“O Paraná teve um grande ciclo histórico de erva-mate, mas agora os produtores não estão tendo o devido retorno. É preciso mostrar a eles que a participação neste projeto pode levá-los a um novo patamar de reconhecimento no futuro”, acredita Ortigara.

O plantio da erva-mate sombreada ultrapassa sua importância para a agricultura familiar e a economia do estado, além de influenciar também na conservação do meio ambiente. Paulo Chaimsohn explica que a erva produzida nesse sistema se desenvolve na mata nativa de araucárias, conservando a flora. “E também é importante para conservar água através da manutenção do subsolo”.

Proposto pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o projeto conta com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf Sul) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) como parceiros.

Café do Norte Pioneiro

O café especial produzido no Norte Pioneiro do Estado foi o primeiro produto paranaense a receber oficialmente a certificação de indicação geográfica do INPI, em 2012.

O café produzido no Norte Pioneiro do Paraná é favorecido por condições de clima e solo que permitem o ciclo completo de maturação da fruta e posteriormente dos grãos. Essas características conferem os atributos especiais e as qualidades sensoriais da produção da região.

Fonte: Agência de Notícias do Paraná via CenarioMT

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