Empresa cria serviço para descobrir inventores

Por Raul Marques / Diário da Região

Cansado de ter o sono interrompido de forma abrupta pelo barulho do secador de cabelo da mulher, o representante comercial Sérgio Benedito Parolo, 60 anos, decidiu agir. Com o problema na cabeça, iniciou pesquisa para resolvê-lo. Assim, desenvolveu um aparelho silencioso. Apesar de fazer menos barulho, não perdeu nenhuma função essencial.

Parolo, no entanto, não pensou só nele. O motor foi separado do secador, ou seja, fica posicionado na tomada, o que também contribuiu para a diminuição do ruído para quem faz uso do equipamento. Um fino duto leva o ar até o cabelo. A invenção foi patenteada e passa por melhorias de ordem estética. A ideia é repassar a criação para uma multinacional produzi-lo em escala industrial.

“Ainda não dei um protótipo para minha mulher”, brinca. “Mas já fiz um e vi que funciona. Consegui reduzir o barulho ao substituir o motor por um parecido com o de ventilador de teto. Quem usa o atual fica estressado com o barulhão, tanto em casa como no salão.” O representante comercial mora em Limeira. Assim como ele, criadores de Lins, São Paulo, Campinas, Brasília, Bahia, Agudos e São José dos Campos têm recorrido a uma empresa de Rio Preto que criou um serviço inovador para os padrões nacionais. Há um ano, leva os inventos, nos mais variados campos, até a mesa dos representantes das multinacionais.

Já existem propostas em avaliação por grandes grupos e que podem render novos produtos ao mercado, como a fralda geriátrica para homens, com compartimento especial para a urina, uma caixa plástica multiuso para animais domésticos, uma porta para pequenas moradias, que abre tanto para dentro do imóvel quanto para a parte comum, e também uma proteção para cabo de fibra ótica à base de garrafa pet.

“O processo de reconhecimento é demorado e pode levar até dois anos para ser concluído, depende do produto. Se for remédio, por exemplo, é ainda mais demorado”, afirma a diretora da I9Invest, Olívia Firmino. A empresa mantém parceria com várias faculdades do Estado, que preferem manter o anonimato. As instituições informam sobre as pesquisas que podem revolucionar e fazer a diferença na sociedade.

Antes de embarcar em uma ideia, Olívia afirma que o projeto passa por um verdadeiro pente-fino. Em primeiro lugar, é feita avaliação técnica para descobrir se funciona e se tem aplicação no dia a dia. Depois, é analisado se já existe algo similar e como será a recepção do mercado. Por fim, é promovido estudo financeiro de quanto vale, isto é, qual valor o inventor pode receber. “Muitos inventores não têm condição de levar o produto até o mercado, não reúnem informação jurídica sobre a transferência de exploração da patente e também não sabem quanto vale a descoberta. Só vão vingar projetos que são novidade, originais e que possam beneficiar a sociedade”, explica Olívia Firmino.

O invento pode ser vendido para multinacionais ou grupos de qualquer lugar. Se preferir, o criador pode negociar o recebimento mensal de royalties. A empresa rio-pretense não cobra nada do criador que está interessado em tentar a venda do invento. Se aceitar representá-lo, só recebe quando o negócio é assinado com um interessado em produzi-lo. Existe custo para criar o protótipo, já que é importante mostrar o material físico. Nada perto do que rende financeiramente uma ideia inovadora.

Divulgue a ideia só após registrar

Antes de revelar uma invenção, é necessário registrá-la no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Assim, evita-se que a ideia seja roubada ou copiada.

O problema, para a maioria dos criadores, é a exigência de apresentar ao instituto um bom relatório descritivo para vender a ideia e um desenho sobre o projeto. Existem empresas rio-pretenses que cobram em torno de R$ 2,2 mil para encurtar o caminho do inventor, ou seja, fazer o projeto, elaborar o desenho e providenciar o registro diretamente no INPI. Geisler Bosso, diretor da Vilage Marcas e Patentes, afirma que é importante jamais divulgar a ideia, antes de registrá-la no nome do autor.

“Depois, é necessário assinar contrato de sigilo com as pessoas envolvidas na construção do protótipo, como serralheiro, marceneiro ou qualquer outro profissional.” Na região de Rio Preto, os principais pedidos de patente surgem do setor moveleiro (em cidades como Mirassol e Votuporanga), agrícola e de tecnologia. Segundo Bosso, o governo exige que o invento seja novidade. “A gente pesquisa, em âmbito mundial, se já existe um produto parecido. Depois, produzimos o relatório e o desenho.” A página do instituto na internet é o www.inpi.gov.br.

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2 Comments

  1. CARLA MOREIRA DO CARMO

    Boa noite…. O inventor da navalha curvada é meu marido Leandro Martins dos Santos, em 2013… Conversando com ele sobre o assunto ele entrou nesta página pra me amostrar suas habilidades q nos surpreendem a cada dia.. Ele é fogo…

  2. Ailton

    Sou inventor do borrifador eletrico com sensor de temperaturas para aquecer a agua nos borrifadores dos cabelereiros e barbeiros, mas estou em busca de uma empresa que aposti na ideia . Quem quizer saber mais e ver o projeto so entrar em contato pelo email; acj_ny@hotmail.com

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