Na Globo, mudança de estratégia chega à marca

Os espectadores do “Fantástico” vão ver, no domingo, uma “atração” especial, que levou um ano para ficar pronta e na qual a direção da Rede Globo tem grandes expectativas. Não se trata de nenhuma reportagem especial ou entrevista exclusiva. É durante o programa dominical noturno, há 40 anos no ar, que a emissora vai exibir pela primeira vez sua nova marca. Será a 10ª mudança de logotipo desde a criação da Globo, em 1965.

Concebido pelo designer austríaco Hans Donner, um velho colaborador da emissora, o novo desenho substitui o que prevalecia desde 2008. O globo estilizado será mantido, mas o cinza metálico será substituído pela cor branca, sob um fundo igualmente branco. Essa simplicidade cromática ressalta as múltiplas cores que aparecem em faixas dentro do globo.

A troca é mais que uma atualização de design: representa os novos caminhos que vêm sendo trilhados desde o ano passado, sob a condução de Carlos Henrique Schroder, que deixou o comando do departamento de jornalismo e esportes para assumir o cargo de diretor-geral da Globo. O branco – a combinação de todas as cores – indica a diversidade que a empresa quer imprimir à sua programação. Os movimentos da logomarca, que parecem aproximar o globo da tela, demonstram graficamente outro objetivo da emissora – chegar mais perto de seu público por meio da interatividade.

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“Internamente, temos incentivado um ambiente mais criativo e ousado. É uma tentativa de abrir a programação para mais gêneros, formatos e autores”, diz Schroder. A nova marca virá acompanhada do slogan “vem aí”, com a qual a Globo pretende reforçar as novidades.

“O Caçador”, um drama criminal protagonizado pelo ator Cauã Reymond, é um exemplo do novo tipo de conteúdo no qual aposta a Globo. Com previsão de estreia no dia 11, a série terá 12 capítulos. O tamanho reduzido é uma estratégia para exibir mais programas no horário nobre. No ano passado, 12 produções próprias se sucederam nessa faixa de horário. Neste ano, serão 16. O formato foi explorado na recém-encerrada “A Teia”, com 10 capítulos, e será usado em “A Segunda Dama”, uma comédia romântica prevista para meados de maio, com o mesmo número de episódios.

As séries também têm outro objetivo. Com programas como “Tapas e Beijos” e “A Grande Família” – a primeira prestes a entrar em sua quarta temporada e a segunda, na última – não há garantia de que o espectador verá o episódio da semana seguinte, porque os capítulos são independentes. Com as novas séries, a intenção é descrever um arco de ação em que o público entenda cada capítulo separadamente, mas encontre um gancho para voltar na semana seguinte.

Cinco fóruns de discussão foram criados na Globo para discutir o futuro de áreas estratégicas: seriados, variedades, humor, novos formatos e telenovelas. Desses, só o de novelas ainda não entrou em ação. Cada grupo reúne de oito a dez pessoas, entre atores e diretores. Nas discussões, a audiência é apenas um dos elementos, afirma Schroder. O fundamental, diz o executivo, é criar um produto consistente. As metas de audiência, que vigoraram durante muito tempo, foram abolidas. “Estabelecer metas é como o técnico determinar, antes de entrar em campo, que seu time ganhe de um placar de 4 a 2”, compara.

A companhia testa em Minas Gerais o serviço Globo TV Mais, pelo qual o usuário paga R$ 12,90 para ter acesso à programação da emissora, via internet, com um atraso que varia de uma a três horas em relação à programação ao vivo. Ainda não há data de lançamento comercial no país. Em janeiro, a empresa colocou no ar o Gshow, seu portal de entretenimento, com a exibição de webséries feitas para esse meio.

A Globo começou a testar aplicativos em programas como “The Voice” e “Big Brother Brasil” e vai expandir seu uso com o “SuperStar”, que estreia no domingo. O público vai votar em seus candidatos preferidos, em tempo real, por meio de smartphones.

A emissora também partiu para a produção conjunta com a TV paga, com a programadora Globosat – o primeiro produto será a série “Animal” – e está ampliando acordos com produtoras independentes ou convidando diretores de fora de seus quadros. O premiado Fernando Meirelles vai dirigir a minissérie “Felizes para Sempre”, prevista para 2015.

A TV aberta continua a prioridade, afirma Schroder, mas a ideia é ampliar o alcance a outros meios, como a web e os canais pagos. “Somos um produtor de conteúdo, e entendemos que o formato [de exibição] precisa ser discutido cada vez mais”, diz o executivo.

Fonte: Valor

 

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