GE busca bons ventos e fecha contrato de R$ 820 mi na Bahia

Empresa vai fornecer 230 turbinas para usina eólica com capacidade para abastecer uma cidade como Brasília

Gigante americana diz acreditar que setor vai crescer no país, mas vê problemas como inflação e mão de obra

CAROLINA MATOS – DE SÃO PAULO

A GE Power & Water, braço para energia renovável da gigante americana GE, fecha, no Brasil, o maior contrato da companhia nesse segmento na América Latina, no valor de R$ 820 milhões. O negócio será anunciado amanhã.

A empresa vai fornecer 230 turbinas para o segundo complexo de energia à base de ventos da brasileira Renova no sudoeste da Bahia.

O Complexo Eólico Alto Sertão 2, cuja construção foi iniciada em novembro com investimento previsto de R$ 3 bilhões, será o maior da América Latina.

Depois de totalmente entregue, em 2014, terá capacidade para gerar 375 MW (megawatts). Esse total é suficiente para abastecer uma cidade de 3 milhões de habitantes pouco maior que Brasília.

Atualmente, o maior complexo eólico é Alto Sertão 1, também da Renova, com 184 turbinas da GE em funcionamento desde julho e potencial para 294 MW, suficiente para atender cerca de 2,5 milhões de pessoas. O investimento foi de R$ 1,2 bilhão.

A GE atua no segmento de energia eólica desde 2002 e está em 21 países. No Brasil, tem presença no ramo desde 2009, com sete clientes hoje.

“O Brasil tem ótimos ventos e está crescendo”, diz Victor Abate, vice-presidente global de energia renovável da GE. “Certamente o negócio da energia eólica vai se desenvolver com o país.”

VANTAGENS E ENTRAVES

O executivo destaca que, em relação ao mercado americano, uma grande vantagem do brasileiro é que não há limites regionais impostos à abrangência de uma empresa do setor de energia eólica.

Nos EUA, existe um fracionamento do território, o que restringe a atuação.

Já quanto a dificuldades locais, Abate cita questões macroeconômicas, como a inflação, os problemas de logística e a baixa qualificação da mão de obra.

Nesse quesito, o executivo diz que a empresa tem programas de treinamento de funcionários e que parte da supervisão dos trabalhos, inclusive das turbinas, é feita remotamente dos EUA.

Segundo dados da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), as usinas eólicas tinham, em dezembro de 2011, capacidade para gerar 1% da energia elétrica do país.

A estimativa é que essa fatia passe para 6% em dezembro de 2015 e para 9% no fim de 2021.

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