Fazendeiro aposta em invenção de espeto a pilha e fatura R$ 300 mil por mês

Antes de investir suas economias e abrir um negócio baseado numa invenção, é preciso testar bem o protótipo para ver a reação do mercado, orientam especialistas.

Espeto à pilha | Fonte: Portal Ponta Grossa

Espeto a pilha | Fonte: Portal Ponta Grossa

Foi o que fez o gaúcho Luciano Kaefer, 49. Em 2012, ele inventou um espeto giratório para churrasco movido a pilha. Dois anos depois, afirma faturar R$ 300 mil por mês.

“Muita gente não compra uma churrasqueira giratória pelo preço, entre R$ 2.000 e R$ 3.000. Criei o espeto para tornar isso acessível”, diz Kaefer, que vende cada um por R$ 149,90 pelo site ou pelo Facebook da empresa, a EspetoFlex.

Em sua fazenda de gado, Kaefer aproveitou a experiência com ferramentas de metal e modelou o espeto. O produto tem uma base de metal que pode ser apoaida em qualquer churrasqueira com profundidade de 50 cm a 70 cm. Quatro pilhas pequenas colocadas dentro do cabo abastecem o motor que roda o espeto com até seis quilos de carne.

Para iniciar o negócio, investiu R$ 10 mil e produziu mil espetos. De 30 unidades vendidas por mês em 2012, ele passou para cerca de 2.000 peças comercializadas atualmente –40% para a região Sudeste.

Seu faturamento mensal é de R$ 300 mil, com lucro médio de R$ 100 mil. O sucesso de seu produto multiplicou por dez sua renda mensal, afirma.

O espeto também é vendido para fora do país. O empresário conta que já atendeu a pedidos de brasileiros em países como Emirados Árabes, Japão, Inglaterra, Paraguai e Dinamarca. Com uma equipe de 12 funcionários fixos, a meta agora é vender 5.000 espetos por mês até o final do ano.

Para isso, a empresa investiu R$ 800 mil em máquinas e assumiu a usinagem do espeto de aço inoxidável, que era terceirizada. As etapas de usinagem, solda, polimento, montagem final e testes de qualidade são todas feitas na fábrica, na zona norte de Porto Alegre (RS).

O boca a boca é a grande propaganda do negócio. “As redes sociais hoje são nossa maior vitrine, e 90% das nossas vendas são via Facebook”, conta o empresário. Hoje, ele diz ter concorrentes, mas considera sua assistência técnica um diferencial, já que nem todos os rivais oferecem a facilidade.

Teste é essencial para convencer consumidor

Kaefer precisou driblar a resistência das pessoas com o novo produto. “No início era muita desconfiança. E na região Sul é valorizada a tradição. Então eu ia aos churrascos e deixava o espeto lá para as pessoas verem que funcionava”, conta.

Para o gerente de desenvolvimento e inovação do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Renato Fonseca, os questionamentos da viabilidade de uma invenção são parecidos com os de start-ups. Ele aconselha validar o produto com alguns clientes e analisar melhorias que podem ser feitas.

Com o produto popularizado, Kaefer se surpreendeu. “A gente acabou alcançando nichos que nunca pensamos, como deficientes visuais. Um me disse que pela primeira vez ia fazer um churrasco.” Outro nicho em que o empresário passou a atuar é o de brindes corporativos.

Inventor precisa unir curiosidade, utilidade e preço

Segundo João Bonomo, especialista em Relações de Trabalho e Negociação do Ibmec/MG, os riscos que o empreendedor-inventor enfrenta são mais altos do que os encarados pelo empreendedor tradicional. Além de criar um produto interessante, ele precisa convencer o mercado de sua novidade.

O gerente do Sebrae-SP afirma que a melhor receita é misturar algo curioso, útil e acessível financeiramente.

“Às vezes, o inventor está interessado apenas em criar, mas é importante construir a cadeia de valor que viabiliza o produto para ele ou outros produzirem. Se o objetivo é comercializar a ideia, o mercado vai sugerir mudanças e ele tem que estar aberto para isso”, diz Fonseca.

O conselho de Kaefer para quem quer investir em uma ideia é quebrar a cabeça, pois no mercado, “sempre haverá algo que ainda não foi inventado”.

Fonte: Portal Ponta Grossa

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