Brasil volta a ser atrativo para a GE

Em mais uma tentativa de ampliar sua presença no setor de iluminação no Brasil, o conglomerado General Electric acaba de contratar um executivo para comandar exclusivamente as operações da empresa nessa área no país. Com a missão de conquistar espaço, principalmente no mercado de iluminação pública, Alexandre Ferrari terá ainda sob sua responsabilidade o desenvolvimento do projeto da nova fábrica de lâmpadas da multinacional no Brasil.

“O mercado brasileiro é um dos focos da GE Iluminação, uma vez que o país terá grandes oportunidades para melhoria de infraestrutura ligada a esse setor”, afirmou ao Valor o novo diretor-geral de GE Iluminação no Brasil.

Ferrari, após 18 anos de experiência na concorrente Philips, deixou o cargo de diretor da divisão de luminárias profissionais para a América Latina da holandesa para assumir, a partir de hoje, o comando da área de iluminação da GE. Antes, esse segmento ficava a cargo de Lionel Ramirez, que comanda todo braço de iluminação da multinacional na América Latina. “Precisamos de alguém que pense somente no Brasil”, explicou a presidente global da GE Iluminação, Maryrose Sylvester, que visitou o Brasil no mês passado, com o objetivo de alinhar com a equipe essa nova fase da companhia.

O desenvolvimento dessa área no país tem três pilares: o setor público – que envolve a iluminação de ruas, prédios públicos, estádios e a infraestrutura ao redor dos estádios; o setor profissional (iluminação de escritórios e lojas) e o setor de varejo (iluminação residencial). A ideia é que a criação do posto exclusivo para cuidar das necessidades brasileiras traga mais agilidade à subsidiária. O executivo terá a função de se aproximar cada vez mais do governo, principalmente se envolver nos projetos dos Jogos Olímpicos e da Copa de 2014. “Vemos muitas oportunidades na área de iluminação pública no Brasil”, disse Maryrose. Segundo os cálculos da companhia, hoje há no Brasil 15 milhões de pontos de iluminação, sendo que 9,5 milhões precisam ser renovados.

Para conquistar o mercado, a GE se focará no LED. Sigla em inglês para diodos emissores de luz, esse sistema de iluminação está sendo cotado para substituir as lâmpadas incandescentes (tradicionais) e as fluorescentes. A GE aposta na economia de energia – e portanto redução de custos – que o LED propicia. Além disso, ela deve aproveitar o espaço deixado por novas regras no setor. A portaria nº 1007, de dezembro de 2010, fixou um cronograma para reduzir o uso das lâmpadas incandescentes e elevar a participação de unidades mais eficientes. Desde 30 de junho, as lâmpadas incandescentes de uso geral com potências de 150 W e 200W deixaram de ser produzidas e importadas no país.

Diante desse cenário, a companhia prevê a construção de uma unidade de montagem de produtos de iluminação eficiente. Os itens serão trazidos da China, como a multinacional faz em todas as suas subsidiárias. Essa seria a segunda unidade de montagem da GE na América Latina, depois das operações mexicanas. Além dessas, a companhia tem três fábricas nos EUA e uma na Hungria.

Segundo o Valor apurou, os investimentos para a fábrica brasileira devem ficar no patamar dos US$ 20 milhões. “Estamos analisando os custos e o local. Neste ano definimos”, disse Maryrose.

O plano representaria um retorno da produção da GE ao mercado brasileiro. Hoje, a maioria dos produtos de iluminação vendidos por ela no Brasil vem dos EUA. Até 2008, a americana tinha uma fábrica de fluorescentes no Rio, mas decidiu vender a unidade para a indiana Saratoga, diante do baixo valor agregado do negócio.

O foco no desenvolvimento dos mercados emergentes está também ligado à necessidade da companhia de trazer força para uma área que teve o menor retorno entre todos do braço industrial. O segmento de soluções para residências e negócios – onde está incluído iluminação – teve lucro de US$ 300 milhões, com recuo de 34% ante 2010. Os resultados da área de energia e infraestrutura também caíram, enquanto cresceram os de aviação, saúde e transporte. O lucro da área industrial ficou constante em US$ 14 bilhões.

Valor Economico – 10/07/2012

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