Exército e religião fazem Israel ser berço de startups, diz autor

Israel tem 7 milhões de habitantes (dois terços da população da capital paulista), 63 anos de existência (mais novo que qualquer Rolling Stone vivo) e uma crise bélica permanente com os vizinhos.

É desse improvável cenário que surge uma das nações mais empreendedoras do mundo. As startups (companhias de tecnologia novatas) israelenses recebem 2,5 vezes mais capital de risco, per capita, do que as dos Estados Unidos e cerca de 30 vezes mais do que as da Europa, afirma Saul Singer, coautor do best-seller “Nação Empreendedora” e colunista do jornal “The Jerusalem Post”.

Menos dependentes de capital e clientes, essas empresas têm sido uma saída a empregos convencionais em tempos de crise, segundo o jornalista americano-israelense. Ele abre hoje uma semana dedicada ao empreendedorismo criativo, na Livraria Cultura, em São Paulo.

Traduzido em idiomas tão distintos quanto turco, árabe e mandarim, seu livro vende a ideia de que adversidades podem ser positivas para catalisar o espírito empreendedor de um país.

O trunfo de Israel, ele diz à Folha, é ser capaz “não só de sobreviver, mas prosperar”, ainda que à custa de “enormes esforços humanos e financeiros para se defender”.

Para tanto, conta a mentalidade militar e religiosa, afirma. “A ênfase na educação judaica levou à fundação de grandes universidades nos anos 1920, antes da criação do Estado. A tendência para questionamento e debate, bem como a informalidade e a falta de hierarquia [como generais chamados pelo primeiro nome no Exército], tudo influencia.”

Grandes inovações vieram de companhias jovens. “A maioria das gigantes de tecnologia, como IBM, Apple e Google, tem grandes centros de desenvolvimento ou já comprou startups israelenses.” Até o ICQ, pioneiro bate-papo virtual, foi criado em 1996 por quatro israelenses.

‘SAIR DO CAMINHO’

A ideologia capitalista do “self-made man” salpica o pensamento de Singer. “A chave é estimular os empresários que emergem naturalmente, de baixo para cima.”

Nesse sentido, a melhor colaboração que o governo pode dar é “facilitar, principalmente ao sair do caminho”.

Inclua nessa fatura o excesso de burocracia no Brasil. Esperar o aval dos grandes também limita. “O Vale do Silício começou a descobrir o Brasil, mas esse processo ainda é muito prematuro. [Vocês] não têm de esperar o Vale”.

Fonte: Folha

Publicações relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *