Empresas propõem ao governo política de inovação sustentável

Entre as principais propostas estão a criação de incentivos e impostos verdes para inovações verdes, isenção ou redução de impostos para as empresas que desenvolvem produtos e serviços sustentáveis para as classes da base da pirâmide social.

O presidente da Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras), Carlos Calmanovici, entregou no dia 01 de julho, ao ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Machado Rezende, um documento com propostas para que o governo adote uma política de inovação que apoie o desenvolvimento de negócios, produtos e serviços que contribuam para uma economia centrada no uso racionado dos recursos naturais.

Entre as principais propostas estão a criação de incentivos e impostos verdes para inovações verdes, isenção ou redução de impostos para as empresas que desenvolvem produtos e serviços sustentáveis para as classes da base da pirâmide social e uma maior participação do setor privado nas estratégias apresentadas pelo Brasil nos fóruns internacionais de deliberação sobre políticas de redução de emissões dos gases do efeito estufa como Kyoto e Copenhague.

A carta da Anpei também propõe atalhos para superação das dificuldades que o setor privado encontra no Brasil para adotar a inovação sustentável e indica caminhos que aumentem o acesso das empresas a financiamentos voltados para novas tecnologias e inovações.

“Mais que um conjunto de sugestões, essa são propostas que estamos colocando para a reflexão do governo”, afirmou o vice-presidente da Anpei e organizador do documento, Ronald Martin Dauscha, diretor do Centro Internacional de Inovação da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). “Com elas esperamos ser uma base para o próximo governo. É uma forma das empresas inovadoras contribuirem com o próximo presidente”.

O texto é o resultado da colaboração de mais de 500 pessoas, entre pesquisadores e representantes de empresas e governo, que participaram do evento da Anpei em abril de 2010

Cultura Inovação
O vice-presidente da Anpei afirmou que o fato do empresariado brasileiro não ter uma cultura de inovação contribuiu para que fossem insuficientes os incentivos recentes à inovação no Brasil – como o grande estímulo à produção científica nos últimos 50 anos, intensificado na primeira década de 2000 com o Finep, a Lei da Inovação e a Lei do Bem.

“Muitos empresários costumam pensar em como fazer o conhecimento das universidades ser aproveitado pelas empresas, o que é um erro”, afirmou. “É uma via de mão dupla, as empresas precisam estimular o direcionamento do conhecimento gerado pelas universidades”, defendeu.

Para ele, inovação é um conhecimento capaz de gerar valor sustentável na economia, o que só acontecerá de fato quando a nossa sociedade tiver uma uma cultura mais empreendedora e inovadora.

Para solucionar isso, o documento da Anpei sugere que o Ministério da Educação inclua o aprendizado do empreendedorismo – em todos os níveis educacionais, do ensino fundamental até o universitário -, com foco nas necessidades dos consumidores e dos mercados nacional e global.

Vícios Brasileiro
Além da falta de cultura de inovação, Dauscha elenca a falta de investimentos de risco em processos de inovação um segundo fator limitante ao desenvolvimento tecnológico no Brasil. “A mentalidade brasileira é de que o capital não pode correr riscos e dessa forma, fica difícil inovar, mesmo com todos os esforços governamentais nesta direção”, disse.

Outros fatores que inibem as empresas brasileiras a criarem departamentos internos de pesquisa e desenvolvimento são, de acordo com Dauscha, o acesso aos financiamentos com editais complexos, a carga tributaria e os custos trabalhistas com recursos humanos especializados.

“Conheço empresas brasileiras em que é mais barato manter o engenheiro desenvolvendo a tecnologia no Vale do Silício (Califórnia/EUA), do que no seu próprio estado”, afirmou o vice-presidente da Anpei, segundo o qual esses aspectos precisam ser observados com mais atenção pelos tomadores de decisão brasileiros.

“Em termos nacionais, se não houver foco na Inovação, não haverá modernização sustentável e competitiva do parque industrial, cujos ativos são patrimônio nacional sobre o qual se assenta o caminho do Brasil do futuro”, conclui o documento da Anpei ao ministério em suas linhas finais.

Fonte: Administradores.com

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